Em comentário ao meu post anterior, a WOAB escreveu:
Aos que nada querem ter que ver com o contrato casamento, este nunca lhes nunca lhes foi interdito. Nunca lhes foi dito que não podiam, oficializar, se quisessem, a relação. Estamos perante uma questão de liberdade. Portanto, o argumento de que eles são idiotas por quererem algo que mais ninguém quer (o que é mentira, o Funes, pelos vistos, quis - e permitiram-lho) apenas remete para a superfície do problema.
Aliás, se o assunto é tão pouco importante, não se percebe o finca-pé para manter cidadãos arredados do direito a usufruir dos mesmos direitos que os restantes.
Fracturante é um Estado que decide que alguns cidadãos são melhores que os outros. E é aplaudido por isso.
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O comentário é pertinente, mas enferma de alguns equívocos relativos à pré-compreensão da instituição casamento que importa esclarecer. Fi-lo em comentário ao comentário da WOAB. A dimensão (que não a qualidade) que o meu texto assumiu justificam, no entanto, que lhe dê o destaque de um post. Aqui fica:
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Cara WOAB,
A minha amiga coloca bem o problema. Aos homossexuais não lhes é permitido casar. E muito justamente, porque não faz qualquer sentido que o seja. Não é uma questão de liberdade, de discriminação ou de arredar alguém do gozo de qualquer direito. É uma questão de simples sentido e significado.
Na verdade, faz tanto sentido que os homossexuais reclamem o direito de se casar, como faz sentido que eu, por exemplo, reclame o direito a uma licença de amamentação por me ter nascido um filho.
A igualdade e a não discriminação são princípios fundamentais da ordem jurídica que dizem que deve ser tratado como igual o que é igual e que deve ser tratado como diferente o que é diferente.
Ora, tem toda a pertinência que a mulher que se encontra a amamentar um filho tenha uma licença de aleitamento, como tem toda a pertinência que esta licença seja extensível à mulher que esteja a amamentar um miúdo que não seja seu filho. As duas situações são idênticas e, consequentemente, devem ter idêntico tratamento.
Não faz sentido absolutamente nenhum que eu possa gozar uma licença de aleitamento. Por uma razão muito simples: eu não amamento nem previsivelmente amamentarei ninguém.
Creio que, até aqui, a WOAB e todos os leitores estarão de acordo comigo.
Acontece que é isto mesmo que se passa com os homossexuais. Não faz sentido que se casem, porque o casamento não é uma instituição que lhes seja dirigida ou aplicável.
O problema é que esta minha última afirmação não é tão evidente como a anterior e postula, por isso, esclarecimentos adicionais.
A origem de todo o problema está numa ideia disparatada que se gerou a partir dos finais do século XVIII: a ideia do casamento romântico, a ideia de que o casamento une dois seres que se amam e que compete ao Direito tutelar essa relação amorosa.
Isto é um rematado desconchavo.
O amor é um sentimento íntimo que, enquanto tal, é impenetrável pelo Direito e resiste a qualquer tentativa de submissão ou controle por regras jurídicas.
O Direito e a ordem jurídica não tratam, não têm que tratar, não podem tratar da relação amorosa.
O Direito e o Código Civil tratam de outra coisa que não tem nada a ver com o Amor, com a paixão ou com a felicidade conjugal. Tratam de saber como se organiza e rege uma sociedade que tem por função gerar e educar a prole.
Bem ou mal (provavelmente bem, porque essa foi a solução que vingou nas comunidades mais bem sucedidas), chegou-se à conclusão que o ambiente mais estável e eficaz para gerar e educar os filhos era a família monogâmica. E dentro desse enquadramento, as ordens jurídicas trataram de criar as regras dessa instituição de geração e educação da descendência. Organizaram e ordenaram o casamento. Ponto final.
Não há aqui nada, rigorosamente nada, que tenha que ver com romantismo, com felicidade, com amor. O casamento estabelece-se e organiza-se, para gerar e educar filhos e, por essa via, assegurar a manutenção e o crescimento da espécie. Só.
Por isso mesmo, com toda a lógica, com todo o sentido, com todo o bom senso, tradicionalmente eram os pais que, com a sua experiência e sabedoria, escolhiam, desde o dia em que nasciam, os cônjuges futuros para os filhos. Obviamente, procuravam o melhores para eles, isto, é, o melhor para criar um ambiente propício à geração e educação dos descendentes que viessem a ter*.
Coartavam-lhe a liberdade, impunham-lhe as suas escolhas, condenavam-nos a viver com quem não amavam? Eram tiranos?
Claro que não. Simplesmente, não confundiam casamento com amor, um erro grosseiro que os séculos XIX e XX tornaram lei.
O amor é essencialmente extraconjugal e, regra geral, dois amantes loucamente apaixonados não propiciam o clima de estabilidade e tranquilidade adequado à educação dos filhos.
Como disse, foi o Romantismo quem veio disfuncionalizar todo este equilíbrio e, confundindo alhos com bugalhos, sexo com paixão, amor com procriação, criou uma enorme trapalhada num sistema que era absolutamente simples, claro e transparente. E ao Direito começou a pedir-se que tutelasse o amor, a ternura, o afecto e tudo o mais com que o Direito não tem nada a ver.
O efeito foi deletério. Mais ou menos o mesmo que teríamos se começássemos a fazer Decretos-leis que estabelecessem que os soldados são corajosos ou Portarias decretando que os alunos são brilhantes (aqui, estamos lá perto). O absurdo completo.
Começou a falar-se no direito dos cônjuges à felicidade, no direito ao divórcio, porque já não se amava o marido ou a mulher e noutras bizarrias do género. Que não parecem bizarrias, porque se vulgarizaram, mas que, na essência, não são substancialmente diferentes de, por exemplo, eu pretender que não devo ser obrigado a continuar a pagar ao banco o empréstimo contraído para comprar a minha casa, porque esta já não me faz feliz e estou farto dela; ou que o Estado tem o dever de me indemnizar, porque eu que há 20 anos tinha um fascínio por dar aulas no estabelecimento onde ensino, hoje vomito essas aulas, estou completamente desmotivado com os alunos que tenho e não sou feliz.
É já no meio de toda esta confusão que surge a problemática do casamento homossexual.
Baralhados, os homossexuais reclamam o seu legitimíssimo direito a viverem o seu amor com o parceiro do mesmo sexo, como o fazem os casais heterossexuais e confundem isso com casamento.
Esquecem a premissa inicial: que o casamento é a instituição criada pela comunidade, para promover a geração e educação da prole. Lateral e subsidiariamente, para promover também a satisfação da mútua concupiscência (como dizia o antigo Código de Direito Canónico). Nunca, para promover o amor ou a felicidade individual, que são assuntos de que não cuida o legislador. Naturalmente, se está em causa no casamento fazer e educar filhos, a relação homossexual não é nem tem que ser para o caso tida ou achada.
Questão diferente, é a de saber se gente do mesmo sexo que vive em comunhão não deve poder regular a sua relação em termos de, patrimonialmente, poder auferir de certos direitos e regalias normalmente associados às pessoas casadas, como por exemplo, o direito a uma pensão no caso de falecimento do(a) parceiro(a), ou o direito a ser herdeiro dos bens deste, em termos idênticos àqueles em que, disparatadamente, um cônjuge é herdeiro do outro.
Estas questões são pertinentes, mas são questões patrimoniais. Não têm nada a ver com casamento. Que faz tanto sentido para homossexuais, como a licença de aleitamento para o pai.
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* - Nas grandes famílias reinantes, também, um abiente propício à implementação da estratégia política internacional

25 lembraram-se de contestar:
Funes não amamenta, amamenta-se.
(alguém pode ter a maçada de fazer um resumo do post. Tipo as antigas edições de bolso. É que ler isto até ao fim é tarefa de um Hércules. Ou dois)
Os rotos não podem casar porque o casamento tem em vista a procriação.
(Não é mais simples assim?)
Sobre o tema (tentei mandar-lhe por mail mas o gmail está a ter um ataque de filoxera.
http://cachimbodemagritte.blogspot.com/2008/05/do-casamento-entre-pessoas-do-mesmo.html
..."Por uma razão muito simples: eu não amamento nem previsivelmente amamentarei ninguém."
Não poria as mãos no fogo por estas afirmações!
Covenhamos que o casamento entre paneleiros não passa de uma paneleirice.
ste não foi um post foi um curso. Acrescento-lhe apenas uma coisa: para a extrema-esquerda e compagnons de route o casamento entre pessoas de sexo diferente é uma instituição burguesa e repressiva que deveria ser abolida, ou totalmente descaracterizada. Houve aliás, alguns ensaios disso no período mais radical da revolução francesa, ou em alguns regimes comunistas. Num paradoxo pelo menos aparente, se estiver em causa o casamento entre pessoas do mesmo sexo a extrema esquerda torna-se uma fervorosa defensora matrimonial. Aqui há, evidentemente, água no bico. Na base dessa defesa está o relativismo e a destruição das instituições tradicionais, como um passo necessário para a revolução. Mas, uma vez realizada esta, a defesa dos putativos direitos individuais iria às malvas, em nome da defesa da revolução e do colectivo. Este filme já passou várias vezes e não foi no Batalha...
É tudo muito lindo, mas nem Funes nem Miss WOAB nem ninguém, de resto, se preocupa com o problema que eu, a Kátia e a Solange enfrentamos.
Zekez, deixo-lhe um fragmento do texto do Pedro Picoito (o link que aí deixei) que vai de encontro ao que foi leccionado pelo Funes:
"Não é difícil concluir que o casamento não é propriamente a aspiração maior dos homossexuais. Então, por que razão o apresentam assim? Porque o que querem realmente os que o pedem é o reconhecimento social e político da homossexualidade. E isso, apesar da compreensão que se possa ter pelo método, não deixa de ser ilegítimo. Primeiro, porque é instrumentalizar uma instituição cujo equlíbrio interessa a toda a sociedade para fins particulares de um grupo de pressão. Segundo, porque a homossexualidade, uma opção privada e cujos efeitos são privados, não pode ser fonte de direitos reconhecidos pelo Estado."
Pedro Picoito, "Do casamento entre pessoas do mesmo sexo", n'O Cachimbo de Magritte, Maio de 2008.
Jorge C.,
Não estou tão certo assim que a ideia de Pedro Picoito vá exactamente no mesmo sentido que a minha.
Eu subscrevo que os homossexuais usam a batalha do casamento como meio de verem socialmente reconhecida a homossexualidade e que essa instrumentaliozação do casamento para um fim diferente daquele para que ele existe é ilegítma.
Mas o nosso acordo termina aí. Eu entendo que os homossexuais têm legitimidade para pretenderem o reconhecimento social da sua diferença e não aceito que a homossexualidade seja uma opção privada cujos efeitos são privados e não podem ser fonte de direitos reconhecidos pelo Estado.
A homossexualidade é uma opção tão privada como a decisão de casar ou ficar solteiro e desta última é inquestionável que resultam efeitos jurídicos e direitos reconhecidos pelo Estado. Não há razão absolutamente nenhuma para aos membros do casal homossexual não serem reconhecidos direitos a partir da opção privada que fizerem, designadamente como o direito a faltar justificadamente ao trabalho para prestar assistência ao parceiro, o direito a uma pensão por morte do parceiro, o direito a herdar do parceiro, etc., etc, etc. O homossexual não é um cidadão de segunda nem tem uma personalidade reduzida pelo facto de o ser.
O que eu digo, tudo o que eu digo, é que os direitos dos homossexuais não tem nada a ver com o casamento que é uma instituição que, pela sua natureza, não foi pensada para eles. Do mesmo modo, por exemplo, que o comodatário não pode reclamar para si os direitos que competem ao arrendatário.
Sim, sim, eu concordo totalmente consigo nesse aspecto.
Era realmente em relação à primeira parte que encontrava coincidência. Mas de qualquer forma trouxe o post porque achei que era mais um contributo para a discussão.
(você pensou nessa do comodato durante a noite, não foi? confesse lá)
Não sei Funes Querido
Já que há toda essa confusão entre amor e casamento e ela vigora em pleno, passa a fazer sentido que os homossexuais queiram casar.
Vivemos nessa confusão, a sociedade deu-lhe apoio quando instituiu o divórcio.
Mas também é bom não esquecer, que há casais de lésbicas e de homossexuais, que educam filhos que um deles teve de um anterior casamento, e que podem ou poderão, se houver casamento, vir a adoptar crianças.
tal e qual e como sempre quanto mais negardes direitos aos que vos são diferentes, mais empurrais os vosso filhos para a marginalização.
defendo que a homosexualidade deve ser socialmente reconhecida para que os nossos jovens tenham à vontade para a viver, sem serem instruidos, acompanhados e abusados por homossexuais doentes, velhos e os unicos capazes em certas alturas de oferecer compreensão aos jovens que não a tem em casa, na escola, no trabalho etc
Consciencia social meus amigos é o minimo que se exige. e podem discutir à vontade em 3 4 será a unica solução para a diminuição do HIv entre os jovens de 30/40 anos
Mas quê? Reconhecida à força, Privada? Você saiu-me um estalinista de primeira apanha, sim senhor!
Ou então o que você quer sei eu, seu pandula!
= 3.ª aula da Pr. Chrétien-Vernicos na aula de Introdução ao Direito - 1.º ano... já lá vão uns anos (tinha eu 18 aninhos...), mas a demonstração foi similar...
a instituição do casamento não se pode aplicar aos homosexuais
... só não falou foi a questão do Amor...
Não há outra hipotese querido Jorge C. , o casamento reconhece e torna aceitavel o acto socialmente e é isso que urgentemente se precisa
Deixo um video principalmente para todos os pais de direita deste país:
video há inumeros
Por este raciocínio, o casamento não se aplica a pessoas que queiram casar e sejam estéreis, ou já tenham passado a idade da procriação, por exemplo. Ou mesmo àquele caso do tetraplégico que um padre, em itália, não quis casar, porque não tinha funções reprodutoras.
Pode-se argumentar que, no primeiro caso, podem adoptar (porque no 2º não podem, pois casais acima de uma certa idade também não o podem fazer), mas então aqui coloca-se outra questão, que é a adopção por parte de casais homossexuais.
Se o casamento for proibido, porque não se lhes aplica, aos exemplos que dei, então concordo que não seja para ninguém que não possa procriar.
Neste caso, concordo também o que refere, de serem reconhecidos direitos a estes casais (estéreis, idosos, homossexuais), como o de assistência ao parceiro, etc, etc.
Tem de haver coerência e deixar os moralismos para trás.
dasssssssssssssssss
constituam uma sociedade por quotas
jocas maradas
Para quê tanta discussão?
Sejamos realistas: há quem tolere paneleiros e há quem não tolere.
A questão é apenas essa.
Eu não tolero paneleiragem - enrabem-se lá à vontade, mas esqueçam o casamento.
E, aos hetero, deixo a mesma mensagem: esqueçam o casamento.
Eu li com muito atenção o texto do sr. Funes e, confesso, continuo a ter dúvidas. Ninguém pode sentir-se lesado ao se permitir casamentos entre homossexuais.
Se o casamento foi concebido para as pessoas procriarem, acho que já não está a responder às expectativas da sociedade actual. É tempo de mudar isso. O que importa é que se alcance o bem estar de todos os cidadãos. A busca da felicidade é um ponto comum de todos os humanos e isso é um direito que não pode ser negado! Se para alguns é pela via do casamento, por que não? Só assim é que se justifica a existência. Vedar um direito comum a todos? Só por que não têm a capacidade de reproduzir crianças? Será Justo e contextualizado?
Direccionar a instituição do casamento apenas para os casais heterossexuais é injusto e desapropriado nos tempos que ocorrem! Outrora o casamento era um contrato que envolvia dotes e condições rigorosas, mas, Sr. Funes, actualmente?
Sr. Funes: " Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades".
O sr. RPS converta-se ao islamismo, pois a lei muçulmana permite-lhe que fique com a Kátia, Solange e outras mais se quiser e puder, se não estou em erro...
Ó Jorge C., V. deixa esse rabeta do Privado tratá-lo por querido?
Se fosse comigo, punha-lhe a cara para o lado onde tem o cú.
Como sabe, sr. Funes, a democracia também foi pensada só para alguns e, no entanto, agora já abrange "outros".
sr. Funes, quero pedir desculpas pelo meu discurso descompassado e desarranjado, creio que se deve ao cansaço.
O que mais me impressionou no longuissimo texto do Funes e ninguem comentou foi que "o amor eh essencialmente extraconjugal". Creio que Funes deveria entao nos dar a definicao de amor e paixao, porque acredito eu que o amor eh conjugal, ja a paixao que nao eh.
RPS: Em rigor, o problema é da Kátia e da Solange.
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