2008-08-28

Da ciência económica como ramo da psicologia

Na minha juventude, nos anos 70, a inflação em Portugal variava entre os 20 e os 30%. Eu vivia à custa do meu pai (como hoje) e adorava. Ele punha 100 contos no banco e, passados três anos ou quatro anos, já lá estavam 200 ou 300. Éramos ricos. Que o preço dos bens tivesse entretanto subido era absolutamente irrelevante, porque naquela altura as pessoas só poupavam, não esbanjavam o seu dinheiro a comprar coisas, como fez, depois, a minha geração.
Agora, pelas minhas contas, à taxa com que os bancos remuneram os cinco euros de poupanças que lhes confiei, vão passar 560.458 anos, antes de eu poder juntar o meu primeiro milhão.
Não sei, não faço ideia nenhuma, do que seja viver com taxas de inflação de mil, dez mil ou cem mil por cento. Não imagino o que seja o preço de um almoço variar entre o início e o fim da refeição.
Os alemães conhecem bem esse fenómeno. Viveram-no de forma mais intensa do que ninguém, no fim da guerra.
Suponho que seja o pavor atávico do regresso desses tempos, não um critério de racionalidade económica, que explica a sua insistência em não permitir que o Banco Central Europeu baixe as taxas de juro.

5 lembraram-se de contestar:

privada disse...

o que está na raiz do medo é o capitalismo, muda a moeda, a taxa de inflação, a igreja, o estado, mas o instinto social e humano mantem-se, é fascinante, os fortes são sempre meia duzia, meia duzia que detem o capital, é fenomenal, um dia tenho que estudar a mente dos capitalistas, ate porque já estou farto de alienados, pobres que não saem do sitio, gaijos e gaijas aos milhares a alinhar em maiorias submissas

privada disse...

somos a maioria, mas nem todos juntos nos defendemos, os gaijos são mesmo poderosos, a gente olha para eles horas a fio a tentar perceber como é que uns parvos daqueles chegaram a capitalistas,daí é que vem a expressão um burro a olhar para um palacio

PATRICIA M. disse...

Eh isso mesmo Funes, eh o medo de termos de volta a hiper inflacao que faz com que o ECB segure as taxas de juros mesmo que isso signifique que toda a eurozona entrara em recessao...

Bom, a Espanha ja esta.

privada disse...

isso só afecta paises desenvolvidos, que tenham capacidade para a suportar, aqui não há risco

pbl disse...

Que maçada!