Os bancos europeus perdoaram à Grécia metade da sua dívida (cento e não sei quantos mil milhões de euros) e os líderes europeus acordaram o reforço do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) até um bilião de euros.
Como qualquer idiota compreende, quem desiste de um crédito de cento e não sei quantos mil milhões de euros fica mais pobre, não fica mais rico. O reforço do FEEF, por sua vez, indicia que os ricos da Europa suspeitam que os pobres (no caso concreto, a Espanha e a Itália) já não vão ser capazes de pagar aí uns 20% a 40% da respectiva dívida soberana.
Como qualquer idiota compreende, quem desiste de um crédito de cento e não sei quantos mil milhões de euros fica mais pobre, não fica mais rico. O reforço do FEEF, por sua vez, indicia que os ricos da Europa suspeitam que os pobres (no caso concreto, a Espanha e a Itália) já não vão ser capazes de pagar aí uns 20% a 40% da respectiva dívida soberana.
O cenário é negro, portanto. Apesar disso, as bolsas europeias acordaram hoje eufóricas, com os títulos da banca a valorizarem-se mais de quatro, cinco, seis e sete por cento e as rádios, os jornais e as televisões a anunciarem o fenómeno como uma evidência de que as nuvens tinham passado.
Os simples, contudo, que não percebem nada de jornalismo nem de mercados financeiros, perguntam desconfiados: mas, então, se os bancos estão hoje mais pobres, como é que o seu valor de mercado (a cotação da suas acções) dispara? Faz sentido?
Evidentemente, não faz. Ou melhor, faz. Ou melhor ainda, faria, se a confiança - o valor básico que comanda qualquer sistema económico - tivesse de forma sustentada regressado ao mercado.
Mas há alguma razão para isso acontecer?
Claro que não. Perdoar dívida a incumpridores relapsos, como os gregos, ou preparar o futuro que nos espera depois de esbanjadores como os italianos confessarem e assumirem não estar na disposição de deixar de esbanjar não são factores que favoreçam a confiança dos mercados; muito menos, que justifiquem um aumento dessa confiança.
E, no entanto, os títulos dos bancos, que ontem ficaram mais pobres, dispararam na bolsa, sinal de que a confiança aumentou.
Ou não?
Sim, é verdade, aumentou. Mas aumentou de forma não sustentada, sem fundamento algum que justifique esse aumento. Aumentou, pelo simples desejo que aumente. A base desse aumento da confiança é, tão só, o wishful thinking que Durão Barroso e os outros pataratas todos que nos calharam à frente da Europa nestes tempos difíceis tanto gostam de fomentar, com os seus repetidos e enfadonhos: «eu estou certo...», «eu acredito...», «eu tenho a certeza que vamos conseguir».
Os tolos - que compreendem tudo isto, mas não sabem nada de jornalismo nem de finanças - irão, cheios de fé, correr aos seus agentes que lhes anunciarão o fim da crise e o quanto vale a pena investir agora («então não viu? Só ontem o BES subiu oito por cento!»). Investirão.
Os espertos - que compreendem tudo isto, mas sabem de jornalismo e de finanças - vender-lhes-ão daqui a uma semana ou duas, por vinte, o que ainda ontem compraram por dez.
E depois os tolos prosseguirão o caminho que já seguiam ontem: cada vez mais pobres.
Entretanto, a Europa congemina engenharias financeiras.
Se, como é previsível, estas não derem em nada, teremos novas cimeiras muito tensas que, à última da hora, resolverão por fim, e definitivamente, a crise do euro. E de cimeira em cimeira seguiremos, até à falência final do euro e da UE.
Se, por milagre, cisma ou tolice, as tais engenharias financeiras convencerem os donos do dinheiro a investir na Europa e a recapitalizar a banca europeia, nos próximos anos, vinte a quarenta por cento da riqueza do velho continente partirá sem regresso para o extremo oriente.
Os jornais, as rádios e as televisões festejam o sucesso difícil da cimeira de ontem.


16 lembraram-se de contestar:
O BES não está exposto à divida grega.
E o facto de os mercados terem subido é explicado com alguma facilidade.
Agora existe a garantia de que não será perdida a totalidade dos investimentos na dívida grega e essa perda será suportada em grande parte pela banca.
1- Então talvez fosse por isso que o BES só valorizou 8%. Os bancos franceses expostos valorizaram 20%.
2- «Agora existe a garantia de que não será perdida a totalidade dos investimentos na dívida grega e essa perda será suportada em grande parte pela banca.»
Sim, é certo que a perda não será suportada pelos gregos, mas pela banca. Por isso a banca valoriza. É o que geralmente acontece quando perdemos dinheiro: ficamos mais ricos e credíveis junto dos mercados.
Ai Jesus, devagar, k isto ainda nos leva a cova.
1- Reconhecemos a imparidade com a Grecia, ok, registamos a perda.
2- Em contrapartida, recusamos nos a reconhecer imparidades em relação a outras dividas soberanas, fundamentando o nosso relatório, na acçao da cimeira, ke à partida garante k Portugal, Irlanda, Espanha e Italia continuarão a pagar as suas dividas.
3- Racios feitos, é melhor encaixar o "prejuizo" da perda de 50% da divida da Grecia, do que assumir todas as imparidades, ke a não resolução obrigaria:
4- Ora, o sistema ke agora é semelhante ao Americano não vai na treta corta-nos ja os valores, para o valor justo.
5- Entao temos ke aumentar o nosso FEEF. ok, é valido.
6- Mas ke grande merda nós portugueses não temos dinheiro para a nossa parte, atao vamos emitir divida, mas isso é só depois da prestação de contas.
7- Vao aceitar esta contabilização? Não, mas é o relatorio deles contra o nosso. Nós tbm nao vamos lá pedir agora dinheiro, portanto k vão dar banho as galinhas, será k ha galinhas na america, deve haver porke ha o mcchiken. K se entretenha, o exercicio é anual, nada diz k os Estados não vao pagar, FEEF com 1 bilião. nhanhanha nanana
É guerra pá, porque raio estão voces a trair a Europa?
Algum dia o Sadam disse k não tinha armas. Traidores.
A concordar a toda a hora com o inimigo. K Mata Hari´s pfffffffffff
Vamos agora, apresentar todos os prejuízos, rácios penosos, para que? O que, para a Asia vir cá? Que interesse tem isso?
Funes, na sua ânsia de implodir a moeda única, perde o norte. Julga que florear uma proposição é a garantia da sua demonstração.
Ora acontece que não é.
Uma empresa vale o resultado positivo da difrença entre o seu activo e o seu passivo.
O valor de um activo não é representado pela inscrição de um valor contabilístico numa folha de papel, mas antes pela expectativa da sua capacidade de, num determinado momento, ser conversível em dinheiro.
Ora, com assinalou o Nuno, a expectativa existente relativamente ao activo dívida soberana grega era tendencialmente igual a zero, pelo que, assegurados que fiquem mecanismos de garantia do pagamento de metade da dívida (como aconteceu) o valor desses activos passou a ser, em vez de tendencialmente igual a zero, para tendencialmente metade do seu valor, o que significa que a expectativa de conversão desses activos em dinheiro aumentou, ou seja, ocorreu um enriquecimento.
O mesmo raciocínio, em diferentes graus, é aplicável às dívidas sobreanas de Portugal, Irlanda, Espanha, Itália e esmo França.
Consequentemente, é inteiramente justificada a subida do valor das acções da Banca, que tem um suporte real e não meramente especulativo.
Por outro lado, o perdão dos 50% não representa, de facto, um prejuízo efectivo do correspondente contra-valor, já que, como é sabido, parte significativa dele era resultado de dívida nova contraída para pagar o serviço da dívida velha.
Ora, o serviço da dívida velha teve um preço de tal maneira elevado que cobriu, com substancial margem, a diferença de valor agora só aparentemente perdida.
Não sei fazer as contas em concreto, mas não me espantaria que, de facto, o perdão efectivo e real fosse próximo de zero, por relação ao capital investido remunerado a um juro decente.
Só não vê isto quem não quer.
Bem não é assim tbm tao inconsequente, só k não temos nenhum interesse em divulgar, 50% deve corresponder aos pacotes de investimento dos pequenos, em certos casos o banco nem tem k cobrir, investiu, perdeu kapum.
A imparidade assim não é total, garante uma redução de imparidades a registar de outros activos. Mas muito curto, curto prazo. E nao eskecer k BCE, FMI e FEEF sao sempre credores privilegiados.
Dps ha k somar imparidades das empresas e privados. Ora, os racios diminuem de forma colossal, como o dinheiro é capacidade para obter credito. Estamos tramadinhos.
Pela nova forma de registo, as empresas terão k diminuir os seus custos drasticamente - desemprego.
Teremos tbm restruturaçao de divida soberana e mt miseria e desemprego, é a vida.
Akle passinho do sô Engenheiro k catapulou de 12% para 21% o nosso risco, agora merecia um aplauso dos seus apoiantes. Vá todos de pé.
Mas à partida só em 2012 é k estaremos msm mal. Podemos viver mais 2 meses.
O Euro esse safa-se.
Empresa X tem titulos do BCP + titulos divida soberana da grecia = tem k resgitar milhares em imparidade = reduz drasticamente o seu racio = tem k diminuir despesa + aumentar capital= despedimentos em massa = perda de valor
a Empresa Y tem titulos da empresa X
a empresa O titulos da empresa Y
40000 cidadaos tem titulos de todas estas empresas nos seus pacotes
Portanto voltando a Keynes, se a poupança era o k estas empresas e cidadãos tinham, e se o k tinham estava investido em pacotes, ks ninguém faz depósitos a prazo simples significa ke a curto prazo, 1 anos? Exactamente, não temos nada ou pouco temos. Ah mas se os bancos recorrerem ao Estado, ok aligeira-se ...
Privada, só investe em bolsa quem quer.
Se a empresa X fez investimentos de risco com dinheiro necessário à subsistência da empresa os administradores praticaram gestão danosa.
Se um particular, como eu, investiu dinheiro em acções da banca sabia (se não sabia foi porque não quis) no que se estava a meter.
Haviam e continuam a haver investimentos em fundos muito seguros.
Tenho na família quem tenha um desses investimentos já anteriores à crise e ele continua a dar dinheiro.
Por último, nós já estamos mal, agora.
Há é muita gente que ainda não abriu o olhos e tomou um cafézinho para acordar a sério.
1- O PBL, na sua ânsia de acreditar no Pai Natal, perde os pontos cardeais todos.
A sua tese é mais ou menos esta: devo cem mil ao banco. O banco começa a suspeitar que eu não vou pagar, mas eu chego lá e digo-lhes: «olhem, meus caros amigos, só tenho 10.000; vocês perdoam-me metade, que eu tenho aí uns gajos que me emprestam 40.000 mil e assim os vossos 50.000 estão garantidos. Além disso, como eu vou meter os 50.000 a girar, vocês ainda vão multiplicar esse dinheiro. E como, em bom rigor dos 150.000 que me emprestaram eu já paguei 50.000, vocês podem imputar a parte dos juros pagos ao capital agora perdoado e já não perdem tudo.»
«Uau, tens razão» - gritarão os banqueiros eufóricos - «estamos mais ricos. Vamos passar a nossa felicidade ao mercado. Agora só temos que ir pedir aos nossos accionistas que metam cá outra vez o dinheiro que este gajo deixou de pagar e recapitalizar o banco. Não custa nada.»
2- «Ora, com assinalou o Nuno, a expectativa existente relativamente ao activo dívida soberana grega era tendencialmente igual a zero, pelo que, assegurados que fiquem mecanismos de garantia do pagamento de metade da dívida (como aconteceu) o valor desses activos passou a ser, em vez de tendencialmente igual a zero, para tendencialmente metade do seu valor, o que significa que a expectativa de conversão desses activos em dinheiro aumentou, ou seja, ocorreu um enriquecimento.»
A falácia deste raciocínio está no parêntesis «(como aconteceu»). Na verdade, não aconteceu. Acredita-se que pode acontecer. Agora e sempre o wishful thinking a empurrar com a barriga para a frente.
3- «Ora, o serviço da dívida velha teve um preço de tal maneira elevado que cobriu, com substancial margem, a diferença de valor agora só aparentemente perdida.
Não sei fazer as contas em concreto, mas não me espantaria que, de facto, o perdão efectivo e real fosse próximo de zero, por relação ao capital investido remunerado a um juro decente.
Só não vê isto quem não quer.»
Ora aqui está um raciocínio absolutamente rigoroso e indesmentível. O que ele postula, evidentemente, é que - sendo ele também inteiramente aplicável a Portugal pelas mesmíssimas razões que o é à Grécia - nós devemos suspender imediatamente os pagamentos do serviço da dívida e exigir já (no nosso interesse, sim,, mas, sobretudo, para a banca ficar mais rica e poder valorizar-se ainda mais nas bolsas) o perdão de metade da dívida e a renegociação do resto a uma taxa de juro decente, sei lá, a euribor a seis meses mais meio ponto percentual. E damos de penhor a teoria económica de Vítor Gaspar.
Mas Nuno se o prazo de maturidade por exemplo é a 5 anos, e se ha 5 anos, os rankings davam uma classificação mais o menos, e menor risco em divida soberana, os gestores não podem ser penalizados. Só para investimentos posteriores.
Já vi cavalos mais espertos que este gajo.
1.
Não perceberá ele que as obrigações são títulos que possuem um valor independente do capital que titulam.
Que uma obrigação com o valor de um euro é transaccionada no mercado secundário, por exemplo, por 80 ou 85 cêntimos e que é esse o valor pela qual é transformável em dinheiro.
E que há muita gente que os comprou por preço inferior ao da emissão.
E que o que é perdoado é metade do seu valor de emissão que não tem correspondência necessária com o seu valor de mercado.
Para lá um bocado para pensar, ó homenzinho!
2.
se o reforço do fundo não é reforço da garantia, é o quê, então. Um verbo de encher?)
3.
Disparate a equiparação à Grécia. O default vai ter consequências gravíssimas para os gregos, mas já não para a moeda e a união. Enquanto que nós vamos andar 3 ou 4 anos a pão e água, eles vão andar uma geração a água. É só esta a diferença que o equídeo não consegue entender, nem que lha enfiemm no cérebro com um berbequim
http://clix.expresso.pt/agencias-de-irating-iclassificam-fundo-de-resgate-com-aaa=f684209
Pois deviam tê-lo classificado com ah ah ah.
Sinto informar-lhes, mas participo do pessimismo funistico. Essas medidas sao apenas "para ingles ver". Nao vao trazer beneficios concretos. Uma vez mais empurram o assunto com a barriga.
Foi sol de pouca dura, o autor continua calaceiro.
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