2011-11-29

Cronologia de um vidente

Há um ano e meio (talvez ainda antes), Funes anunciava-nos, das mais variadas formas, que Portugal cedo entraria em bancarrota, inserido num fenómeno bastante mais vasto que acabaria por afectar todos os países da Europa. A Europa, como a conhecemos, desagregar-se-ia, e seria plausível pensar em guerra, e numa onda de destruição, ou, na melhor das hipóteses, em tumultos sociais que afectariam radicalmente toda a nossa vida.

Na altura, julgo que todos o ouvíamos com aquela bonomia com que se ouvem os fanáticos de teorias de conspiração, dando-lhe o desconto de saber como ele anseia por anarquia e explosões.

Há 1 ano atrás, já depois de implementadas as primeiras medidas de austeridade no nosso país, começamos a ouvi-lo com mais atenção. Nessa altura, o cenário catastrófico parecia-nos excessivo, mas percebíamos, perturbados, que a génese do que estava a ocorrer e a sequência de acontecimentos não se distanciavam muito do que ele tinha vaticinado.

Há 6 meses atrás, alguns de nós (eu, certamente), estávamos já a pensar que tudo o que ele tinha dito encaixava na perfeição com muito do que se estava a passar. E, sobretudo, que o resto estava a acontecer nos bastidores. Bastava estar atento, e ler para lá do que nos estava a ser impingido. Outros de nós, estavam a tentar não ver.

Há 3 meses, já nos tínhamos (praticamente todos) rendido ao pessimismo de Funes, e víamos o horizonte tão negro como ele. Todos começamos a exclamar, em uníssono, “estamos F******”.

Hoje, entre uma notícia e outra, entre pseudo manifestações de vontade europeias, cimeiras, e demagógicas e ocas declarações, os amigos de Funes, ávidos, mandam-lhe mensagens, e os colegas batem-lhe à porta do gabinete: “Diz-me… e agora? O que vai acontecer? Retiro já o meu dinheiro do banco e guardo-o em casa, abro uma conta no estrangeiro, ou compro dólares?

12 lembraram-se de contestar:

Funes, o memorioso disse...

Recomendo vivamente a compra de moeda norte-coreana. Como está fora da globalização, deve ser a única segura nos dias que aí vêm.

500 disse...

Por vezes, damasiadas vezes, encontro no pára-brisas do automóvel, uns papeis recomendando-me uns videntes que prometem dar-me a chave do euromilhões (não sei se depois de ele ser sorteado) e remédio para o mal de corno. Algum de tais papéis será de Funes, escondendo-se sob nome falso? Desde que o Bernardino manifestou dúvidas quanto à hipotética não-democracia norte-coreana fiquei de pé atrás quanto ao "toque" da moeda do Querido (ou Amado?) Líder. Agora, tenho a certeza: Funes está mancomunado com o Bernardino.

BAAAHHHH !!! disse...

Tudo será pelo melhor, no melhor dos mundos possíveis.

Funes é um roubini de pantufas, caxené e gato no regaço: "São cardos, Senhores !"...

pbl disse...

Que tolice, Mestra de Aviz. O Apocalipse sempre teve os seus pregadores. Funes é um evangelista da Igreja do Nosso Senhor do Fim dos Tempos. O seu amor platónico cega-a.

jama disse...

Ora, ora, o que ele diz é tão evidente como dizer que está a morrer gente que nunca tinha morrido. Todos sabíamos disso, só que alguns (os que estavam no governo e os que, por qualquer outra razão, não lhes interessava que as pessoas acreditassem nessa desgraça) diziam o contrário. Mas se quer uma sugestão, aplique o dinheiro em dólares australianos ou em fundos que invistam em matérias-primas. Mas, mais seguro, mais seguro, é investir na felicidade. Por exemplo, em carros, viagens, etc., se isso vos fizer felizes. Esse bem pode ser passageiro, mas, depois de gozado, ninguém vos o tira. Portanto, vamos todos passar o Natal a Nova Iorque.

Nuno Almeida disse...

Sim sim.
Compre dólares!

Funes fazia e continua a fazer lembrar aqueles tolinhos que caminham pelas cidades com duas placas penduradas no corpo a apregoar o fim do mundo.

A minha avó apregoa o fim do mundo desde 1940 e não foi por isso que ele veio mais cedo.

tá mais que visto disse...

Na rua de sta catarina, homens sanduiches publicitam compra de ouro, prata, relógios - dinheiro na mão.
É o fim do mundo para os reis do prego...

Funes, o memorioso disse...

Vamos lá a ver uma coisa:
Quem se lembrar das minhas previsões dos números do euro-milhões ou de resultados dos jogos de futebol sabe o que valem os meus poderes de vidente.
Como bem explica o JAMA, não há vidência alguma na leitura do que está escrito e que os cegos não querem ler. Se eu vir um tipo que emborcou uma garrafa de vodka pegar num automóvel e começar a conduzir, não são necessários quaisquer poderes de vidência para adivinhar que o exercício vai correr mal. Vidência será adivinhar como é que vai correr mal, isto é, se vai só despistar-se dando apenas cabo do carro, se vai matar-se, se vai matar terceiros e em que circunstâncias...
Neste blogue e noutros fóruns, eu tenho-me limitado a dizer, aí desde 1997 ou 98, o óbvio: que depois da queda do muro de Berlim a chamada União Europeia é um projecto inviável, assente em pressupostos que a História ultrapassou. E que insistir nesse projecto insano terá custos que a inteligência podia e devia evitar. Constituía, pois, obrigação dos dirigentes europeus terem preparado a dissolução da União. Não só não o fizeram, como insistiram em «beber a garrafa de vodka até ao fim» e acelerar o carro europeu. O desastre tornou-se inevitável. Hoje vamos pagar de forma muito dura o preço dessa loucura. Ponto.
Como o vamos pagar? Vamos só ter a chapa amolgada e empobrecer ou vai tudo ser muito mais grave e acabar numa guerra de consequências imprevisíveis?
Não faço, evidentemente, a mais pequena ideia. Não sou vidente.
Mas - e isto é o essencial - talvez porque nunca tenha adorado o bezerro de ouro e nunca me tenha movido na vida pelo bem estar material, não vejo, nunca vi, o fim da Europa como o fim do mundo ou o Apocalipse, como me acusam os meus adversários, designadamente o PBL, o Nuno Almeida e os meus colegas da ERC quase todos. Eles sim, não concebendo que possa existir vida fora do bem-estar material em que cresceram e se assentaram, vêem o fim da UE como o fim do mundo e das suas próprias vidas. E entram em estado de negação das evidências e, como os burocratazinhos de Bruxelas, agarram-se a cada declaração de desespero de Merkel ou Sarkozi, a cada recupereçãozinha das bolsas, como se fosse a tábua de salvação final. E acusam-me a mim de andar a anunciar um fim do mundo que, eles sim, temem.
Eu, indiferente, assisto como mero espectador desinteressado ao desenrolar dos acontecimentos, feliz por a História me ter dado uma segunda oportunidade (a primeira foi a da descolonização e do fim do império) de viver tempos fascinantes.
Estou profundamente optimista em relação ao futuro.

privada disse...

Não calma aí, o que o Mestre sempre diz é que é o fim da união monetária europeia e por consequência o fim da Europa Unida.

O que a malta costuma dizer é que não é o fim da Europa, não é o fim da união monetária, ainda k alguns abandonem o euro.

Todos estão de acordo, que serão 10 anos de grandes sacrifício, alguém lhe disse aqui o contrario?
No fundo o sacrifício, é pouco mais do que aquilo que está considerado no Doc. estratégico Europa 2020 - think it small!

privada disse...

Por exemplo convinha pesquisar, mas creio k esse documento, assim de cor, já revia o nosso crescimento, em -1.59 há uns tempos largos .

Por exemplo, para os empreiteiros de reabilitação urbana, e considerando k o país é pouco desenvolvido e 40% do seu imobilizado corpóreo em edificios, infra-estruturas, não vale nada por falta de manutenção (13% de 3.5 milhoes de fogos valem niente, ziero, e ainda tem custo ), e consequentemente o PIB é afectado, e como não ha cadeia de valor neste rectangulo e como faze-la nos vai demorar 10 anos, o crescimento previsto é de 1.29 , com produtividade negativa por largos anos. Isto naquele que podemos considerar o 2º sector da economia.

Assim as recentes deliberações vem desse documento, que já é do tempo do engenheiro, impostas pelas UE.
faltam as seguintes.
Não me parece que a UE tenha sido vidente, mas sim previdente, devia publicar esses dados aki, para não ser o único a anunciar o retrocesso económico. Porque para o nosso país, ele está lá escarrapachado ha long time. O Socrates é k nao kis divulgar.

privada disse...

ah, tbm lá está o de Espanha, mas Espanha lê aquela porcaria, e tomou algumas providencias em vários segmentos, bancos, reformulação da construção, etc Está lá o de todos...

pbl disse...

Nuno, eu já o tinha acusado dessa.
Mas olha, a julgar pelo último esclarecimento ele não é o profeta.
É o próprio Messias.
Não é o portador da palavra e a Palavra em si mesma.