Não houve nenhuma guerra, não houve nenhum terramoto, não houve nenhuma outra catástrofe natural ou induzida. O que temos hoje é o que tínhamos em 2008. Mas em 2008 éramos ricos e hoje somos pobres.
Porquê?
Basicamente, porque perdemos as ilusões e, com as ilusões, a confiança.
A confiança é o único real valor de mercado. Com ela e sem mais nada, tudo é possível. Sem ela e com tudo o resto, nada se consegue.
Acontece que a confiança – como quase todos os valores – não é performativa, não se estabelece só por ser proclamada. Ao invés, há sempre boas razões para desconfiar de quem se declara sempre confiante.
Porquê?
Basicamente, porque perdemos as ilusões e, com as ilusões, a confiança.
A confiança é o único real valor de mercado. Com ela e sem mais nada, tudo é possível. Sem ela e com tudo o resto, nada se consegue.
Acontece que a confiança – como quase todos os valores – não é performativa, não se estabelece só por ser proclamada. Ao invés, há sempre boas razões para desconfiar de quem se declara sempre confiante.
Esse é o problema da Europa, hoje. Tem líderes que se limitam a professar constantemente a sua infinita confiança, mas não tem líderes confiáveis. Dito de outro modo, não tem líderes, porque a capacidade de liderar outra coisa não é do que a capacidade de inspirar confiança.
A confiança não se cria com grandes profissões de fé optimistas, como aquelas com que, a cada passo para o abismo final, os eurocratazinhos correm a bombardear-nos. Gera-se com a verdade.
E hoje, na Europa, tudo é mentira: é a mentira de que está tudo sob controle; é a mentira de que alguém sabe o que anda a fazer; é a mentira de que a culpa é dos funcionários públicos e dos restantes trabalhadores que ganham demais, desequilibram as contas públicas e retiram competitividade às economias; é a mentira de que se combate a crise com políticas recessivas que reduzem o consumo e aumentam o desemprego; é a mentira de que a culpa é dos especuladores que são maus; e das agências de rating que têm inconfessáveis agendas escondidas…
É a mentira de que se está muito confiante e se tem muita fé no futuro.
Com o desespero, nasceu agora uma última mentira: a de que todos os nossos males se resolvem e as portas do céu se nos abrem nos quadros de uma união política, de uma Federação Europeia. Ainda hoje, Fernando Ulrich – habitualmente sensato e pouco dado ao dislate – o proclamou numa conferência de imprensa.
É já o desnorte dos insanos.
Será que ignoram que não houve nunca, não há e, com toda a certeza, não haverá nos anos mais próximos união alguma?
Será que não sabem que – tirando os devedores desejosos de verem as suas dívidas pagas pela Alemanha – ninguém quer união alguma?
Será que já se esqueceram do modo como o processo de ratificação do aborto chamado inicialmente “Constituição Europeia” e depois “Tratado de Lisboa” teve que ser subtraído ao voto dos povos e processado de forma atolambada no silêncio esconso dos gabinetes de Bruxelas?
Será que – dez anos depois – já não se lembram do que se passou nos Balcãs?
Será que ignoram que qualquer união política postula uma política externa e de defesa comum e que isso é completamente impossível entre os países europeus? Ou só fingem ignorar, para melhor enterrar a cabeça na areia?
Líderes europeus, dignos desse nome, assumiam agora, com clareza e sem tergiversações, o erro colossal que foi a união monetária e a sua insustentabilidade e preparavam com cuidado, seriedade e coragem o processo do seu desmantelamento, de forma a minimizar os inevitáveis prejuízos nele implicados.
Somos todos diferentes na Europa e não devemos permitir que aquilo que nos separa destrua o muito que nos une. Se cometemos um erro, forçando a união do que não é uno, corrijamo-lo prontamente e anulemos essa união espúria, capaz de nos dividir naquilo em que estamos unidos.
Mas na Europa não há hoje líderes. Só gentinha acagaçada e de cabeça perdida que, sem fazer a mais leve ideia para onde vai, incha o peito atemorizada, exibe galões tecnocráticos e urra fanfarrona, estar confiante no caminho.
Como se fosse de tecnocratas que nós precisássemos neste momento…
Ao contrário de Paulo Rangel, a nomeação de Monti não acendeu em mim um fiozinho de esperança. Encharcou de água um pavio há muito apagado.
A confiança não se cria com grandes profissões de fé optimistas, como aquelas com que, a cada passo para o abismo final, os eurocratazinhos correm a bombardear-nos. Gera-se com a verdade.
E hoje, na Europa, tudo é mentira: é a mentira de que está tudo sob controle; é a mentira de que alguém sabe o que anda a fazer; é a mentira de que a culpa é dos funcionários públicos e dos restantes trabalhadores que ganham demais, desequilibram as contas públicas e retiram competitividade às economias; é a mentira de que se combate a crise com políticas recessivas que reduzem o consumo e aumentam o desemprego; é a mentira de que a culpa é dos especuladores que são maus; e das agências de rating que têm inconfessáveis agendas escondidas…
É a mentira de que se está muito confiante e se tem muita fé no futuro.
Com o desespero, nasceu agora uma última mentira: a de que todos os nossos males se resolvem e as portas do céu se nos abrem nos quadros de uma união política, de uma Federação Europeia. Ainda hoje, Fernando Ulrich – habitualmente sensato e pouco dado ao dislate – o proclamou numa conferência de imprensa.
É já o desnorte dos insanos.
Será que ignoram que não houve nunca, não há e, com toda a certeza, não haverá nos anos mais próximos união alguma?
Será que não sabem que – tirando os devedores desejosos de verem as suas dívidas pagas pela Alemanha – ninguém quer união alguma?
Será que já se esqueceram do modo como o processo de ratificação do aborto chamado inicialmente “Constituição Europeia” e depois “Tratado de Lisboa” teve que ser subtraído ao voto dos povos e processado de forma atolambada no silêncio esconso dos gabinetes de Bruxelas?
Será que – dez anos depois – já não se lembram do que se passou nos Balcãs?
Será que ignoram que qualquer união política postula uma política externa e de defesa comum e que isso é completamente impossível entre os países europeus? Ou só fingem ignorar, para melhor enterrar a cabeça na areia?
Líderes europeus, dignos desse nome, assumiam agora, com clareza e sem tergiversações, o erro colossal que foi a união monetária e a sua insustentabilidade e preparavam com cuidado, seriedade e coragem o processo do seu desmantelamento, de forma a minimizar os inevitáveis prejuízos nele implicados.
Somos todos diferentes na Europa e não devemos permitir que aquilo que nos separa destrua o muito que nos une. Se cometemos um erro, forçando a união do que não é uno, corrijamo-lo prontamente e anulemos essa união espúria, capaz de nos dividir naquilo em que estamos unidos.
Mas na Europa não há hoje líderes. Só gentinha acagaçada e de cabeça perdida que, sem fazer a mais leve ideia para onde vai, incha o peito atemorizada, exibe galões tecnocráticos e urra fanfarrona, estar confiante no caminho.
Como se fosse de tecnocratas que nós precisássemos neste momento…
Ao contrário de Paulo Rangel, a nomeação de Monti não acendeu em mim um fiozinho de esperança. Encharcou de água um pavio há muito apagado.


14 lembraram-se de contestar:
"Os muito ricos são diferentes de nós”, disse. Scott Fitzgeral
Ê, eles têm mais dinheiro do que nós”, retrucou. Hemingway.
"Somos todos diferentes na Europa e não devemos permitir que aquilo que nos separa destrua o muito que nos une. Se cometemos um erro, forçando a união do que não é uno, corrijamo-lo prontamente e anulemos essa união espúria, capaz de nos dividir naquilo em que estamos unidos.
Mas na Europa não há hoje líderes. Só gentinha acagaçada e de cabeça perdida que, sem fazer a mais leve ideia para onde vai, incha o peito atemorizada, exibe galões tecnocráticos e urra fanfarrona, estar confiante no caminho".
Substituindo "Europa" por "Portugal" o postulado mantém-se verdadeiro.
Como de costume, Funes, dou-lhe inteira razão.
O velho capitalismo, que produzia com base nas expectativas (naturais ou induzidas) das necessidades dos consumidores, tendo em conta o mercado potencial, expectativas essas estribadas na confiança que os decisores políticos lhe mereciam (regras de jogo claras), acabou há muito, ruíu com estrondo. Há muito, quem decide é uma figura esdrúxula, sem rosto, que ninguém localiza, que dá pelo nome de Mercados. A sua existência é incontroversa e aceite como evidência, pelos efeitos. Tais Mercados, não se sabe bem porquê, entram com frequência em stress e não há remédio conhecido, salvo o caos, que acalme o paciente. Bom seria que uma qualquer fundação financiasse estudos que permitissem descobrir uma vacina ou um curativo. O Nobel estava assegurado. E, quem sabe?, uma consulta no psicólogo, psiquiatra ou neurologiista, e uns chás de ervas do Gerês poderiam resolver a coisa e acalmar o doente.
Meu caro 500,essa entidade estranha a que chama Mercados e cujo funcionamento caprichoso o espanta e perturba não é senão, precisamente, o sistema de confiança a funcionar. Não tem segredos e o seu estudo já foi feito.
O que se passa é que indivíduos a agirem racionalmente podem produzir um resultado colectivo completamente irracional.
Dou-lhe dois exemplos:
1- Imagine um banco cuja saúde, embora sólida, já conheceu melhores dias. 500, que tem lá as suas poupanças, começa a ficar um pouco receoso de vir a perdê-las. Prudente e racional como é, decide transferi-las para outra instituição. Prudentes e racionais os outros depositantes fazem todos o mesmo. Naturalmente, o banco vai imediatamente à falência e só os primeiros clientes a levantar os seus fundos é que o conseguem. Os outros perdem praticamente tudo. Ou seja, uma atitude individual racional conduziu a um resultado colectivo desastroso.
2- 500 anda a pensar comprar um carro novo e fazer com ele um largo passeio pelo país instalando-se nos melhores hotéis e comendo nos melhores restaurantes. Tem dinheiro para isso, mas está receoso e a confiança no futuro não é grande. Estamos em crise e, embora a sua empresa transborde saúde, nos tempos que correm nunca se sabe quando é a roda da fortuna gira e tudo vai por água abaixo. Prudente e racional, decide adiar a compra do carro e a viagem. Todos os consumidores, inteligentes, prudentes e racionais, fazem o mesmo. Individualmente, a decisão é absolutamente sensata. Na prática, o conjunto dessas decisões fez diminuir brutalmente a procura e atirou a economia para a recessão.
Não há nenhum segredo nem nenhum conluio secreto de capitalistas especuladores a conspirar para levar o mundo à ruína. É tudo, só, teoria dos jogos.
Noutro exemplo, quando a Assembleia da República e o Presidente da República andam por aí a dizer: «comprem produtos portugueses», esse conselho só é eficaz se os outros parlamentos e os outros governos de outros países não fizerem exactamente a mesma coisa. Porque, se o fizerem, a economia portuguesa arruína-se.
Já pensou no paradoxo que envolve aquela prática publicitária que diz que «se encontrar mais barato, nós devolvemos a diferença»?
"Mas na Europa não há hoje líderes"
Foram os Estados europeus os responsáveis pela eleição de lideres como: Sarkozy, Berlusconi, Socrates, Aznar, Papandreou.
Há algo fundamental no comprometimento publico, a ética.
Todos os organismos públicos tem códigos de ética claros.
Faz parte do entendimento que, comprometida a ética, sem necessidade de prova jurídica, exista imediata suspensão do cargo. Assim é no privado e mt pior é o no publico.
Todos estes dirigentes desrespeitarm os fundamentos éticos ate ao limite maximo.
A Europa não soberana, que exige certificados de responsabilidade social, códigos de etica, e condutas de acordo com a etica, note-se bem a nivel mundial incluindo-se inclusive o respeito pelos animais, isto tudo para o seu mercado interno, mas não sendo soberana, nada pode fazer quanto à eleição destes estercos.
Apesar de o parlamento Europeu ter cada vez mais autonomia, o tratado de Lisboa nao cumpre a união politica e fiscal k se exige.
Por via disso, estercos de cada estado transitam para o BCE e outros organismos, funcionando ate esta transição como uma lavagem automatica do curriculo.
Os Estados que não pretendem a união politica e fiscal, sao Estados que pretendem explorar o seu povo, são Estados sem ética.
Devemos a nossa formação actual, a nossa tecnologia, as nossas vias, recursos à União Europeia.
Infelizmente só agora tomamos consciência dessa pertença.
Em 6 meses somos mais Europa do que alguma vez fomos. Do que me diz respeito, e considerando que a maioria dos jovens partilham desta opinião, k venha a união politica e fiscal. A soberania da Europa. Lutaremos ate ao fim. Ate porque nesta luta, poucos nacionais terão competência para lutar num mercado politico global.
O problema, Privada, é que, para haver união, não basta que o Privada queira ser europeu. É preciso que os alemães também queriam ser europeus ou, pior do que isso, que os alemães o queiram a si na Europa. Não querem. Nem sequer como território conquistado e subjugado os alemães nos querem. Os custos de nos terem não são compensados pelo que eventualmente lhes pudéssemos dar. Portanto, a sua União continua a não ser mais do que uma fantasia. Para se tornar real, temos que invadir a Alemanha, nomear lá um governo de confiança e obrigá-los a aceitar-nos no seio da Europa.
Oh pá, acho que não podemos retirar do discurso Alemão essa conclusão de forma tao directa. Porque chega o Mestre a essa conclusão?
Admito mais depressa k perante um referendo o povo portugues, não aceitasse. Imagine logo as campanha populista e perda de soberania, perda de tachos ...
Vamos imaginar que se une Alemanha, França, Austria ... deixam de fora os pobres, k ate sao contra o federalismo porke deixam de ter controlo na receita despesa dos seus estados. Ok, França, Alemanha, Austria ficavam com um estrondo de moeda, diziam adeus a exportações, e o sistema bancário entrava em default. Portanto qual é o interesse, não percebo.
Podiam acabar com o união monetaria, mas mais uma vez ficava a Alemanha com uma moeda de estouro, mas sem mercado para exportação....
Sinceramente, nao creio, que a Alemanha seja contra o federalismo, acho é que a Alemanha não quer de modo nenhum k seja a França iluminada a liderar esse federalismo.
Nós, e todos os pobres, ka ja somos muitos ficarmos de fora, está fora de questão. A meu ver.... nao sei, mas...
Nao contei com o Reino Unido, o principal opositor, porke o Reino Unido já não conta para nada :-))))))))))))
Não posso deixar de concordar com o seu ao meu comentário, com uma excepção: os "mercados" não me espantam mas não deixam de me pertubar. Quem são os autores da perda de confiança? Quem faz dumping (económico e social)? Quem me envia um cartão dourado, não solicitado? Quem me dá crédito para compra de uma casa (avaliada por mais do que vou pagar) e me oferece mais uns "trocos" para a mobília e um carro novo? Quem atribui o rating a um país, para horas depois confessar que foi um erro, com consequências devastadoras? Que levou, de facto, ao pedido de demissão de António Borges do FMI para a Europa?
Em resumo: quem manipula e porquê a confiança, aspecto básico das transações, nacionais ou internacionais? Como nasceu a letra de câmbio ou o cheque? Como se faziam muitos negócios nas feiras francas, sem dinheiro à vista, apenas com a "palavra"? A questão, no fundo, é: quem destruiu a confiança?
Quem inventou os off shores e quem permitiu a sua instalação e a sua permanência? Continuo sem saber o que são os tais "mercados" e isso sim, perturba-me. Deve ser da idade e da minha incapacidade de entender os novos tempos.
O texto até ía bem encaminhado, mas a partir do momento que fala de Fernando Ulrich perde toda a credibilidade.
Além disso, este tipo de raciocínio pode-se aplicar a qualquer parte do globo onde quer que haja uma "União" de qualquer tipo ou uma "Federação"/ grande país.
"Se há ou houve conflitos, se há multiculturalidade não podem estar unidos."
Não me parece.
O "itálico" acima não é uma citação, obviamente.
Filosofia barata!
Perfeitamente de acordo, PBL. Ao contrário da sua da da sua família política, que nos vai sair a todos muito cara.
Enviar um comentário