A história (como estes meus últimos posts) é de uma monotonia confrangedora.
Começa-se por jurar que se vive no melhor dos mundos possíveis. A seguir, garante-se que não se é a Grécia. Depois, anunciam-se medidas de austeridade. O passo seguinte é acusar as agências de rating e os especuladores e repetir até à exaustão que se respira saúde e não se precisa do FMI para nada. Mais tarde um mês, sempre com arrogância, faz-se uma reunião com a senhora Merkel e proclama-se urbi et orbi que se acredita nas medidas tomadas e que tudo irá correr pelo melhor. Durão Barroso também irá a todo o lado declarar que acredita muito. Já com cautelas e caldos de galinha, anuncia-se que não, que está tudo bem e que preocupante seria se as taxas de juro passassem os 7% ou 8%. Quando chegam aos 10%, o FMI entra e o governo toma decisões drásticas e cegas cujo único efeito útil é agravar a recessão e matar qualquer vaga esperança de recuperação. Tudo acaba no «resgate» que é o nome técnico para estourar e dar em pantanas. Ou melhor, quase tudo acaba, porque antes a UE ainda faz uma cimeira extraordinária a prometer que na cimeira extraordinária seguinte tudo ficará resolvido.
A França inicia agora esta via crucis. A Itália já vai no quarto ou quinto passo.
O problema é que já não há mais dinheiro para resgates. É certo que, com a habitual euforia e o conveniente alarde, a eurocracia delirante prometeu o reforço do Fundo Europeu de Estabilização Financeira até um com doze zeros euros. Mas não se trata realmente de pôr dinheiro no fundo. Trata-se apenas de de pedir aos chineses que o «alavaquem», termo científico usado no caso para designar os desconhecidos efeitos de uma causa que se ignora. Acontece, porém, que os chineses não parecem muito entusiasmados com a ideia. Perguntam-se a si próprios por que hão de eles alavancar, se a própria Alemanha não se disponibiliza para alavancar também. As negociações, contudo, prosseguem. Para a China, pode vir a ser um bom negócio. Basta exigir em troca o reconhecimento da sua economia como uma economia de mercado e impor aos europeus a adopção do seu modelo de direitos do homem.
De uma forma ou de outra, estamos alavancados.
Começa-se por jurar que se vive no melhor dos mundos possíveis. A seguir, garante-se que não se é a Grécia. Depois, anunciam-se medidas de austeridade. O passo seguinte é acusar as agências de rating e os especuladores e repetir até à exaustão que se respira saúde e não se precisa do FMI para nada. Mais tarde um mês, sempre com arrogância, faz-se uma reunião com a senhora Merkel e proclama-se urbi et orbi que se acredita nas medidas tomadas e que tudo irá correr pelo melhor. Durão Barroso também irá a todo o lado declarar que acredita muito. Já com cautelas e caldos de galinha, anuncia-se que não, que está tudo bem e que preocupante seria se as taxas de juro passassem os 7% ou 8%. Quando chegam aos 10%, o FMI entra e o governo toma decisões drásticas e cegas cujo único efeito útil é agravar a recessão e matar qualquer vaga esperança de recuperação. Tudo acaba no «resgate» que é o nome técnico para estourar e dar em pantanas. Ou melhor, quase tudo acaba, porque antes a UE ainda faz uma cimeira extraordinária a prometer que na cimeira extraordinária seguinte tudo ficará resolvido.
A França inicia agora esta via crucis. A Itália já vai no quarto ou quinto passo.
O problema é que já não há mais dinheiro para resgates. É certo que, com a habitual euforia e o conveniente alarde, a eurocracia delirante prometeu o reforço do Fundo Europeu de Estabilização Financeira até um com doze zeros euros. Mas não se trata realmente de pôr dinheiro no fundo. Trata-se apenas de de pedir aos chineses que o «alavaquem», termo científico usado no caso para designar os desconhecidos efeitos de uma causa que se ignora. Acontece, porém, que os chineses não parecem muito entusiasmados com a ideia. Perguntam-se a si próprios por que hão de eles alavancar, se a própria Alemanha não se disponibiliza para alavancar também. As negociações, contudo, prosseguem. Para a China, pode vir a ser um bom negócio. Basta exigir em troca o reconhecimento da sua economia como uma economia de mercado e impor aos europeus a adopção do seu modelo de direitos do homem.
De uma forma ou de outra, estamos alavancados.


12 lembraram-se de contestar:
Funes, a seguir, vai informar o mundo da Grande Invasão.
Milhares de pequenos seres de olhos em bico armados de dangs marcham sobre a Europa e matam os seus homens, saqueiam as cidades e violam as suas mulheres e filhas.
Nem as crianças escapam aos impiedosos amarelos, que rasgam barrigas e deixam os intestinos abertos dos seus milhões de vítimas a secar ao sol.
O cheiro a fezes torna-se insuportável, segue-se a peste e, no fim, as trevas cobrirão o mundo.
Não creio nesse cenário, PBL, nem nunca me ouviu aqui alardeá-lo. Limito-me a dizer que 20 a 30% da riqueza europeia vai ser transferida para o oriente nos próximos anos. Num movimento, de resto, natural e correspondente a um imperativo de Justiça.
O chato é que vai haver também alterações substanciais nos nossos valores. De qualquer modo, antes os chineses que não têm um livro sagrado e que tenho esperança acabem por adoptar alguns dos nossos princípios, como os romanos adoptaram os dos gregos (o meu amigo Zekez acha que sou demasiado optimista nesta crença).
Entretanto deixo uma pergunta: tirando, porventura o reino Unido, há algum governo europeu disponível para receber hoje o bonzinho e detestável Dalai Lama?
Os chineses nao estao interessados em impor nada a ninguem. Como bons mercadores que sao, estao apenas interessados em FAZER DINHEIRO. O resto, como direitos humanos, que se dane!
o Japao comprou 1.1 bilao do fundo com maturidade de 10 anos, emitido para o nosso financiamento , ate houve excesso de procura. A alemanha tbm comprou, muitos compraram... Nao sei, mas a meu ver, alavancagem é para os nossos bancos k com a injecçao ficam com racios menos vuneraveis. O resto é o mercado a funcionar normalmente, só que num patamar muito superior, o k indica cada vez mais a proximidade a uma UE federalista. E como portuguesa desejo isso, talvez por ser jovem, desejo uma verdadeira Europa.
PBL, para quando uma piada envolvendo Funes e a alavancagem?
Zekez costuma aludir a uma eventual invasão da Rússia pela China, através da Manchúria.
Napoleão Bonaparte, que, ao contrário de Zekez, não é meu amigo, terá dito algo semelhante.
Imagino k isto seja mais o menos assim:
3 empreiteiros tinham uma carteira de 4 milhoes de clientes obrigados a pagar-lhe um tanto dos seus rendimentos, mas msm assim, os badamecos estavam falidos, precisavam de 6 m.
4 advogados, k já lhe tinham emprestado algum dinheiro, e k sabiam k estes tinham um plano de negocios, k se bem gerido, seria infalivel, criam um fundo de 8 milhoes, com maturidade a 10 anos e uma rentabilidade de 3.50.
Colocaram esse fundo à disponibilidade de investidores, e conseguiram a total concretização.
6 milhoes emprestaram aos empreiteiros por 7 anos, desde logo, assim tau. 2 milhões investiram no mercado. O custo do empréstimo aos empreiteiros seria o custo normal + a diferença entre taxas. Sendo que a 7 anos estaria a divida paga e faltaria ainda 3 para a maturidade total do fundo.
Mas os empreiteiros ainda precisavam de mais, então entre estes 2 prazos, os advogados repetiram a estratégia, para mais 6 milhões, vendendo novamente 8 milhões.
Moral da historia, a longo prazo estamos todos mortos.
Ora faltou imaginar uma coisa, a cada ano de pagamento dos empreiteiros, os advogados reinvestiam esse dinheirinho, em negócios porreiros, ao fim do kinto ano ja só perdiam custos de oportunidade.
Agora os advogados fizeram uma coisa estúpida, subestimaram o empreiteiros,não ha penalizações na amortização antecipada. vamos k os empreiteiros descobrem marte e pagam de uma vez? pode acontecer, empreiteiros emergentes.
Esta visto nao posso vir para aqui com sono.
Hmmmm... There goes Berlusconi, down the drain. A Italia ja esta jogando a toalha...
Berlusconi, Patrícia? Quem é que quer saber de Berlusconi? Berlusconi já era. Os mercados agora já estão concentrados em Sarkozi.
Mas que boa descrição desta inevitável sucessão de eventos...
O que espanta é que ainda haja surpresas quanto ao passo seguinte. Que os jornais o façam, ainda se compreende, porque vivem dos grandes títulos, e precisam de simular algum "suspense". Agora as pessoas? Ainda há tantos ingénuos por aí... A questão não é "se", mas sim "quando".
Alavancagem
As gorduras do Estado
Austeridade
Resgate
Almofada no orçamento
Estão tão criativos com este léxico da crise, composto por eufemismos ou por imagens ridículas.
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