Mão-de-obra barata e descartável, segurança social e sistemas de apoio na doença e na velhice de carácter meramente simbólico, serviços públicos mínimos e a preços nunca inferiores ao respectivo custo de produção: eis o modelo económico que o governo, com verdade, embora sob o nome eufemístico e promissor de «reformas estruturais», nos propõe para o futuro.
É uma escolha. Importa, todavia, perceber bem o sentido dessa escolha.
Imagine-se que os salários dos trabalhadores portugueses descem de forma consolidada e se fixam numa faixa entre os 200 e os 1.000 euros por mês, sendo que nos 200 euros se queda 60% da população activa e só 10% recebe mais de 600. Imagine-se que o horário de trabalho sobe para dez horas por dia. Imagine-se que as férias passam a reduzir-se a 15 dias seguidos e deixam de ser pagas. Imagine-se que a idade mínima para trabalhar baixa para 14 anos e que, até aos 18, os miúdos só têm direito a metade da remuneração dos trabalhadores adultos.
Imagine-se que tudo isto é imaginável. Admita-se até que os portugueses aceitam tudo isto solenemente e votam por unanimidade a revisão constitucional onde tudo isto passa a estar consagrado. Quais serão os efeitos disto para a competitividade da economia nacional?
Nenhuns que sejam relevantes.
É uma escolha. Importa, todavia, perceber bem o sentido dessa escolha.
Imagine-se que os salários dos trabalhadores portugueses descem de forma consolidada e se fixam numa faixa entre os 200 e os 1.000 euros por mês, sendo que nos 200 euros se queda 60% da população activa e só 10% recebe mais de 600. Imagine-se que o horário de trabalho sobe para dez horas por dia. Imagine-se que as férias passam a reduzir-se a 15 dias seguidos e deixam de ser pagas. Imagine-se que a idade mínima para trabalhar baixa para 14 anos e que, até aos 18, os miúdos só têm direito a metade da remuneração dos trabalhadores adultos.
Imagine-se que tudo isto é imaginável. Admita-se até que os portugueses aceitam tudo isto solenemente e votam por unanimidade a revisão constitucional onde tudo isto passa a estar consagrado. Quais serão os efeitos disto para a competitividade da economia nacional?
Nenhuns que sejam relevantes.
O factor trabalho continuará a ser mais barato na China, no Paquistão, na Índia, na Indonésia e em todos aqueles países cujas bases económicas assentam, justamente, em mão-de-obra barata e nós continuaremos sem conseguir colocar os nossos produtos no mercado. Sobretudo, insistindo em usar nas exportações uma moeda forte como o euro.
Com a agravante de que esses países terão então maior eficiência em todos os outros factores, uma vez que, em crescimento, eles conseguirão segurar dentro das fronteiras a respectiva inteligência nacional e nós, em plano descendente, veremos emigrar todos os indivíduos com um mínimo de qualidades e capacidades profissionais.
Em síntese: as nossas exportações não subirão de modo que se veja; os estrangeiros não virão a correr instalar cá as suas empresas; o crescimento económico e a riqueza nacional não registarão níveis que impressionem quem quer que seja. Quando muito, crescerá tudo um bocadinho, permitindo-nos acalentar a esperança de que a nossa prosperidade nunca será significativamente inferior à da Argélia e de Marrocos.
Mão-de-obra barata e descartável, segurança social e sistemas de apoio na doença e na velhice de carácter meramente simbólico, serviços públicos mínimos e a preços nunca inferiores ao respectivo custo de produção: eis o modelo económico que o governo com verdade, embora sob o nome eufemístico e promissor de «reformas estruturais», nos propõe para o futuro.
É uma escolha. Só que é uma escolha sem sentido.
Mão-de-obra barata e descartável, segurança social e sistemas de apoio na doença e na velhice de carácter meramente simbólico, serviços públicos mínimos e a preços nunca inferiores ao respectivo custo de produção: eis o modelo económico que o governo com verdade, embora sob o nome eufemístico e promissor de «reformas estruturais», nos propõe para o futuro.
É uma escolha. Só que é uma escolha sem sentido.


12 lembraram-se de contestar:
Eu avisei que as rabanadas estavam estragadas.
Pois, mas isso não é um argumento que desminta o que eu escrevi.
Só um tonto argumenta com um louco.
E como poderemos designar quem mete o bedelho numa troca de argumentos entre um tonto e um louco?
Tem razão, Cala-te Boca. Não volto a meter-me entre o Nuno Almeida e o PBL.
Cale-te boca, que ou entra mosca ou sai asneira.
Receio bem que o congénito pessimismo de Funes tenha uma réstea de verdade. Salvo se uma qualquer filoxera dizimar a velhada e os cargueiros levarem os contentores repletos de professores e outros profissionais dispensáveis para os brasis, e os que ficarem começarem a fornicar mais, sem camisinha. E quanto a escolas, não é necessário gastar muito: qualquer regente escolar pode admninistar os conhecimetos básicos de ler escrever e contar e mais não é preciso para auferir 200 euros por mês. Até pode acontecer que o preço da luz venha a baixar, mesmo que venha a haver mais ligações directas à rede. É só importá-la das Three Gorges, em contentores adequados.
Bom Ano (dentro do possível)!
Deixa lá: Os chineses vão tomar conta da gente.
Como a formiga branca...
Caro Funes,
E pronto, está tudo dito.
Um grande bem-haja.
Escrito assim, era suposto toda a gente perceber. Parece que ainda não foi desta.
Mas lá que dá vontade de imprimir, ir ali à esquina à loja das fotocópias (ainda há disso por aí?), fazer umas valentes resmas do texto e fardado de pai natal, ou com umas miúdas giras, a distribuir o dito na Baixa, lá isso dá.
Talvez assim, mais gente percebesse de uma vez por todas o que lhes saiu na rifa.
Enfim. Não se pode pedir em demasia.
Natal nem sempre é quando os homens querem.
Continuação de boas festas,
Luís F. Afonso, no Japão
Os chineses são democratas, ditador era o Chavez, diz a corja no governo o que dirá o querido líder o homem sem palavra. o cata-vento imbecilóide , cúmplice do gang ladrão ?
Cortaram-te a luz?
Isto aqui parece um funeral.
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