2009-07-09
Teoria das probabilidades
Memória de
Funes, o memorioso
às
20:30
7
lembraram-se de contestar
Marcadores: Saúde pública
Lembrete
Memória de
Funes, o memorioso
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20:26
2
lembraram-se de contestar
Marcadores: Projectos
Do título dos livros
Memória de
Funes, o memorioso
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18:02
7
lembraram-se de contestar
Marcadores: Literatura
Perdi na semana passada. Talvez ganhe para a semana
Memória de
Funes, o memorioso
às
14:05
0
lembraram-se de contestar
Marcadores: Causas
Julgavam que tinha acabado, não julgavam?
Memória de
Funes, o memorioso
às
8:11
8
lembraram-se de contestar
Marcadores: Onomástica
2009-07-08
Para acabar de vez com as palavras engraçadas
Abegão
Abencerragem
Anexim
Azémola
Bacoco
Badalhoca
Banha
Beldroegas
Besuntar
Betoneira
Bexigoso
Bezerra
Bisnaga
Bordoada
Bule
Buzina
Calhorda
Catota
Chafurdar
Carcomido
Coche
Carrapito
Cróia
Detritos
Engonhar
Esborrachar
Escangalhar
Esguicho
Estafermo
Faceira
Ferrolho
Focinheira
Forquilha
Fosfato
Fressura
Frosques
Gafurino
Galhofa
Gatuno
Gentalha
Gonorreia
Gorda
Hecatombe
Impropério
Javardice
Labrego
Lambão
Lambisgóia
Lavoura
Lopes
Macabeu
Melgaço
Népias
Pança
Pancão
Pecheira
Pilantra
Pingarelho
Pirólise
Pirolito
Podão
Pólipo
Protozoário
Quilhar
Sanfona
Sapucaia
Semilha
Serigaita
Traquitana
Texugo
Trafulha
Trintona
Trombas
Unto
Vacarrona
Xafarraz
Zebróide
Zebu
Zelota
Memória de
Funes, o memorioso
às
13:00
19
lembraram-se de contestar
Marcadores: Palavras
Ouvido de passagem: diálogo em feminino gordo, numa rua de Gondomar
Memória de
Funes, o memorioso
às
11:26
4
lembraram-se de contestar
Marcadores: Diálogos
Uma palavra brasileira engraçada por dia (Zekez Carvalho)
Memória de
ZekezCarvalho
às
10:07
0
lembraram-se de contestar
Uma palavra alemã engraçada por dia
Krankenschwester
Memória de
rps
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9:00
4
lembraram-se de contestar
Matinal dislate
Memória de
Funes, o memorioso
às
8:18
1 lembraram-se de contestar
Marcadores: Que raio de etiqueta hei-de eu dar a isto?
2009-07-07
E se me apetecer partilhar um coro ao fim da noite?
Memória de
Funes, o memorioso
às
22:37
0
lembraram-se de contestar
Marcadores: Música coral
Conflito de gerações
Proponho-lhe que faça antes um piercing no nariz, outro nos beiços e cinco em cada orelha; sugiro-lhe a tatuagem de uma ferradura em cada bochecha; avanço-lhe a ideia de rapar o cabelo todo e deixar só uma faixa azul empinada na parte de trás da cabeça. Não adianta. Ela insiste nas aulas de equitação.
Eu só quero que todos sejam felizes. E tal como não tolero que outros definam em que é que deve consistir a minha felicidade, também nunca meço a felicidade dos outros pela minha. Não imponho os meus critérios e acedo ao equídeo dislate.
Memória de
Funes, o memorioso
às
12:51
11
lembraram-se de contestar
Marcadores: Vida familiar
Uma palavra brasileira engraçada por dia (ZekezCarvalho)
Pingolim (a pedido da Marta).
Memória de
ZekezCarvalho
às
10:20
2
lembraram-se de contestar
2009-07-06
Da Ronáldica loucura
Memória de
Funes, o memorioso
às
23:42
14
lembraram-se de contestar
Marcadores: Claques de futebol, Cristiano Ronaldo, Dislates e despropósitos
Das más escolhas
Pode. As suas escolhas.
Memória de
Funes, o memorioso
às
17:32
15
lembraram-se de contestar
Marcadores: Campanha eleitoral, Política portuguesa
Uma palavra brasileira engraçada por dia (Zekez Carvalho)
Memória de
ZekezCarvalho
às
13:54
4
lembraram-se de contestar
Obrigado, Patrícia
Memória de
Funes, o memorioso
às
2:58
21
lembraram-se de contestar
Marcadores: Confissão
2009-07-05
Uma palavra brasileira engraçada por dia (Zekez Carvalho)
Bunda.
Memória de
ZekezCarvalho
às
17:32
5
lembraram-se de contestar
Um farol na praia da Luz: contributo para uma teoria dos limites
Memória de
Funes, o memorioso
às
11:23
4
lembraram-se de contestar
Marcadores: Dislates e despropósitos, Eleições autárquicas., Rui Rio
Insónia
Memória de
Funes, o memorioso
às
11:16
1 lembraram-se de contestar
Marcadores: Insónia
2009-07-04
Alma FCP
Memória de
Funes, o memorioso
às
23:56
5
lembraram-se de contestar
Cansado
Memória de
Funes, o memorioso
às
23:18
3
lembraram-se de contestar
Marcadores: Dislates e despropósitos, Economia, SEDES
Exemplo
As eleições no Sporting Clube de Portugal já tiveram cenas deploráveis. As do Sport Lisboa e Benfica passaram de todas as marcas. Que bom ver que no meu clube os processos eleitorais sempre decorreram em clima de sã democracia!
Memória de
rps
às
18:05
3
lembraram-se de contestar
2009-07-03
Uma palavra brasileira engraçada por dia (Zekez Carvalho)
Escuteiros-mirins.
Memória de
ZekezCarvalho
às
16:47
4
lembraram-se de contestar
Demitir-se??!!...
Por que raio se demitiu?
Teve uma descortezia. Pediu desculpas. Um ministro pediu desculpas em nome do Governo. O primeiro-ministro fê-lo também, mais adiante. Não chegava?
Não vejo que o episódio tenha a gravidade que lhe atribuiram. Nomeadamente, Paulo Rangel, um tipo que até admiro, e que teve uma intervenção deplorável na sequência do episódio.
O que se passou é, contudo, um sinal de "fim de festa". O PS até pode ganhar as eleições, mas este Governo está a fazer as malas.
Este episódio, há dois anos, ficaria pelas desculpas.
Se este episódio se tivesse dado hoje com Teixeira dos Santos, não haveria demissão.
Está tudo a fazer as malas. Estão quase todos com a cabeça noutro lugar.
Não há dúvidas: o ciclo fechou-se.
Memória de
rps
às
0:40
8
lembraram-se de contestar
A frase da noite
"As minas de Aljustrel têm rendido mais em factos políticos do que em minério"
(Arlindo do Rego, à mesa, no Zé Bota)
Memória de
rps
às
0:30
5
lembraram-se de contestar
2009-07-02
Comprem-nos a todos! (ou o megálomano delírio de Florentino Perez)
Memória de
ZekezCarvalho
às
18:59
4
lembraram-se de contestar
Uma palavra brasileira engraçada por dia (Zekez Carvalho)
Baita.
Memória de
ZekezCarvalho
às
12:38
2
lembraram-se de contestar
Ainda o São João está fresco e já a cidade se prepara para novo mergulho na sua memória
Memória de
rps
às
2:00
6
lembraram-se de contestar
2009-07-01
Um recado de G. K. Chesterton para o Eng. Jardim Gonçalves
Na melhor utopia, eu tenho de estar preparado para a queda moral de qualquer homem, em qualquer posição e em qualquer momento, e, especialmente, para a minha queda, da minha posição, neste momento.”
Memória de
ZekezCarvalho
às
10:22
8
lembraram-se de contestar
Uma palavra brasileira engraçada por dia (Zekez Carvalho)
Jarbas (na acepção de motorista).
Memória de
ZekezCarvalho
às
9:15
4
lembraram-se de contestar
Efeitos secundários do xanax
Memória de
Funes, o memorioso
às
7:59
6
lembraram-se de contestar
Marcadores: Futebol
2009-06-30
Uma palavra brasileira engraçada por dia (Zekez Carvalho)
Estouro da boiada.
Memória de
ZekezCarvalho
às
14:54
4
lembraram-se de contestar
As causas da semana
O Irão era, há uma semana atrás, o centro do mundo e das causas. Ali travava-se o eterno combate pela liberdade e os amigos das causas – com o ar de sofrido heroísmo que usam adoptar - enviavam por telemóvel e twitter mensagens emocionadas com juras de eterna resistência e solidariedade. Recordavam, lacrimejantes, Tianamen e gritavam que nunca mais nada seria igual no médio oriente. Depois, felizes consigo mesmos pela nobreza demonstrada, acabavam a sonhar democracias obâmicas e cantantes à mesa do café. Que estivessem a apoiar um bandido como Mousavi, não os comovia nem impressionava.
Agora, passada uma semana, o Irão já só rende umas linhas nas páginas interiores dos jornais de referência. E sem primeiras páginas, os amigos das causas – que abundam em causas, mas não em perseverança – desistem.
Na comunicação social, o tema passou a ser o golpe de Estado nas Honduras.
Ninguém, evidentemente, quer saber das Honduras para nada. Tirando a indicação de uma zona vaga que vai da cidade da cidade do México até Punta Arena, ninguém sabe sequer indicar num mapa a localização exacta das Honduras. Ninguém sabe se são uma ilha ou se fazem parte do continente. Ninguém sabe se foi colonizada por franceses, holandeses ou espanhóis. Ninguém que tenha ouvido alguma vez falar em El Salvador, San José ou Manágua ouviu jamais falar em Tegucigalpa.
Mas são uma abstracção que nos devolveu a nostalgia do golpe de estado.
Depois da queda do muro de Berlim, acabou a tradição do golpe de estado. É certo que em África os dirigentes continuaram a matar-se com generosa e universal equanimidade. Mas em África não há golpes de estado. Os golpes de estado pressupõem um Estado e na África dos golpes (na Guiné-Bissau, por exemplo) isso não existe. Só existem matanças. Generalizadas e sem critério.
Mas a coisa não promete. Pelas reacções dos governos ocidentais, para a semana as Honduras já nem nas páginas interiores serão notícia.
Talvez Julho se inicie com a causa da Birmânia, de novo. Pelo menos, eu proponho a Birmânia. Está a começar o julgamento de Aung San Suu Kyi e a Birmânia é uma boa causa antes de férias.
Memória de
Funes, o memorioso
às
14:09
5
lembraram-se de contestar
Marcadores: Causas, Política internacional
Parece que o meu tempo é de dúvidas
A caminho da Católica, cruzo-me com Artur Santos Silva que passeia sereno de bicicleta pela Foz. Não é a primeira vez que o vejo a passear, mas hoje dou comigo a colocar-me uma dúvida: se um banqueiro reformado, laico e republicano pedala tranquilo e anónimo pelas ruas da cidade, que raio de patifarias terá feito o outro banqueiro reformado, opus, pio e tresandando a autoproclamada santidade, para temer pela vida e necessitar de 40 seguranças a vigiá-lo?
Memória de
Funes, o memorioso
às
3:39
13
lembraram-se de contestar
Marcadores: Jardim Gonçalves
2009-06-29
Luís Costa Correia ou os insondáveis desígnios da Providência
A Norte e a Leste, também havia mundo. Mas acabava em Vigo e em Salamanca. Para lá desses lugares mágicos de caramelos e fronteira, era a França e a Europa, de onde vinham em Agosto os emigrantes, em grandes Renaults e Simcas flamejantes, e contavam de viagens em auto-estrada, com áreas de serviços e hotéis repletos de néons que eu sonhava amplificações gigantes do café-bar da Mobil, na Estrada Nacional número um, no Vale do Grou, entre Barrô e Aguada de Cima.
De Paris, de Bruxelas, de Amesterdão, do Luxemburgo, chegava-nos ao fim-de-semana, José Augusto e os “Domingos na Europa”. Os europeus eram felizes e organizavam feiras de flores a preto e branco, e passeavam de bicicleta por avenidas fluviais, e compravam baguetes estaladiças em padarias de bairro, e as criancinhas europeias brincavam em família com barquinhos à vela, nas margens de lagos citadinos que bordejavam magníficos jardins encantados. E eu não sonhava, porque em Barrô não havia baguetes nem lagos e o tio Abel padeiro só vendia “bicos” e uma vez o tio Fernando comprou-me na Costa Nova um barquinho à vela e a vela era de plástico.
Depois, Salazar morreu, o homem chegou à Lua e houve o vinte e cinco de Abril.
Em 1978, a memória viva do PREC, as ilusões perdidas do Império, as más companhias e a leitura pouco recomendável da revista “Democracia e Liberdade” converteram-me às veredas impérvias do europeísmo e do mercado comum.
Por uma tarde chuvosa de Dezembro, entrei no gabinete do Professor Baptista Machado com a ideia firme de sair de lá com o seu apoio à criação de um Instituto de Estudos Europeus. Recebeu-me bem disposto, elogiou o meu empenho de caloiro e esclareceu-me que os seus devaneios literários não abrangiam o jurídico. A ordem comunitária era uma fantasia e antes de fantasiar o Direito, eu devia, como ele, estudá-lo.
Foi a minha primeira lição de União Europeia.
A seguir tive muitas outras. Esqueci-as todas, menos a última. Recebi-a num jantar no Círculo Universitário do Porto, no Campo Alegre, em 1999. Deu-ma o Comandante Luís Costa Correia.
Europeísta convicto e senhor de uma inteligência e de um espírito crítico superiores, o Comandante Costa Correia não vendia a inteligência nem abdicava do espírito crítico a favor da Europa. Funcionário europeu, ao contrário da maioria dos seus colegas, não funcionava na Europa. Pensava a Europa. E a pensá-la ensinou-me, com argumentos irrebatíveis e noções elementares de geo-estratégia, que não haveria nunca Europa alguma sem uma política de segurança e de defesa comum.
Suspeito que os dois sabemos que essa política nunca existirá e que, por isso, falar da Europa será sempre falar da fantasia que denunciava o Professor Baptista Machado. Mas isto sou eu a desejar que ele fosse, como eu, eurocéptico.
Há quatro ou cinco noites atrás, por volta das quatro e meia da manhã, acordei com o nome Paiva Boléo a bailar-me no cérebro. Os apelidos remetiam-me para Coimbra e talvez para uma ou outra leitura filológica há muito esquecida. Na net encontro uma biografia do velho professor e descubro que em 1984 festejou com a família os 80 anos de vida. A missa foi celebrada pelo filho dominicano.
Decido fazer um post a perguntar por este filho. Antecedo a questão de uma outra sobre Rogério Palhau, um antigo colega de quem nunca fui amigo, com quem falei duas ou três vezes, no máximo, e que me impôs ao xadrez a derrota mais humilhante da minha vida. Faço-a seguir de uma dúvida sobre Matias Samouco, um nome que inventei na hora.
Insondáveis são os desígnios da Providência.
Memória de
Funes, o memorioso
às
14:04
7
lembraram-se de contestar
Marcadores: Gratidão, Memória, Mestres, União Europeia
Uma palavra brasileira engraçada por dia (ZekezCarvalho)
Bóia (na acepção de comida).
Memória de
ZekezCarvalho
às
9:59
2
lembraram-se de contestar
2009-06-28
Da pré-época
Ligo-lhe horas depois. Encontro-o extasiado com Saviola. "Grande jogador!", diz, em tom quase místico.
Mostra-se entusiamado com Jorge Jesus. Faz-lhe os maiores encómios. A uma qualquer inervenção minha entra numa espiral de ataques violentos ao FC Porto. Questiona a legitimidade de todos os títulos, de todas as vitórias. Arrasa o préstimo de todos os jogadores do FCP - actuais e passados. Reproduz, em volúpia, o discurso de todos os vieiras, de todos os delgados e farinhas da bola. Debita girândolas fantasiosas de golos anulados, penalties perdoados, cartões não exibidos, livres inventados.
"Saviloa, Saviola, Saviola..."
"Jesus, Jesus, Jesus..."
"Quem não tem amigos benfiquistas assim?", pergunta-se-á.
Eu tenho amigos sportinguistas assim!
Memória de
rps
às
20:30
5
lembraram-se de contestar
Marcadores: Futebol
Uma palavra brasileira engraçada por dia (Zekez Carvalho)
Guri (alguém me explica se o feminino é "guriza" e qual a diferença para "moleque" ?)
Memória de
ZekezCarvalho
às
13:39
3
lembraram-se de contestar
2009-06-27
Nunca percebi por que razão não é "Jerusalem" o hino de Inglaterra, mas o abjecto "God Save.."
And did those feet in ancient time
Walk upon England's mountains green?
And was the holy Lamb of God
On England's pleasant pastures seen?
And did the Countenance Divine
Shine forth upon our clouded hills?
And was Jerusalem builded here
Among these dark Satanic mills?
Bring me my bow of burning gold:
Bring me my arrows of desire:
Bring me my spear: O clouds unfold!
Bring me my chariot of fire.
I will not cease from mental fight,
Nor shall my sword sleep in my hand
Till we have built Jerusalem
In England's green and pleasant land.
William Blake
Memória de
Funes, o memorioso
às
22:28
8
lembraram-se de contestar
UMA MEMÓRIA AO SÁBADO: Grandes Momentos do Séc. XX
Munich 1972 Olympics Massacre
Memória de
Funes, o memorioso
às
10:58
4
lembraram-se de contestar
Outra dúvida existencial
Memória de
Funes, o memorioso
às
10:43
4
lembraram-se de contestar
Marcadores: Angústias existenciais
2009-06-26
Três dúvidas existenciais
Memória de
Funes, o memorioso
às
13:29
15
lembraram-se de contestar
Marcadores: Angústias existenciais
Uma palavra brasileira engraçada por dia (Zekez Carvalho)
Torta-de-Juá-de-Lobo.
Memória de
ZekezCarvalho
às
9:37
1 lembraram-se de contestar
2009-06-25
Do Palácio de Cristal
No início dos anos 80, à falta de Pavilhão Atlântico, o velho estádio de Alvalade foi frequentemente usado para grandes concertos de estrelas internacionais da música pop que aí iniciavam ou terminavam as suas digressões europeias.Por esse tempo, uma girls band brasileira, as “Frenéticas”, conhecia um relativo sucesso em Portugal com o tema de uma novela qualquer que passava no horário nobre RTP. “Prazê em conhecê, somos às tais frénétchicas” – dizia a letra da cançoneta.
Embaladas pelo êxito, as “Frenéticas“ decidiram dar um concerto no Porto, no demolido pavilhão “Américo de Sá”, ou que depois se chamou “Américo de Sá”. À hora de início do espectáculo, parece que se tinham vendido três bilhetes. A organização decidiu, por isso, abrir as portas a toda a gente que quisesse entrar. Entraram – disseram-me – 25 pessoas.
As “Frenéticas” não seriam, por certo, grandes figuras das cena musical, mas o incidente convenceu-me que o Porto era cidade para espectáculos intimistas, no Coliseu, no Rivoli ou (agora) na Casa da Música, mas dificilmente constaria dos roteiros das grandes tournées mundiais. De resto, no Porto, só me recordo muito vagamente de um concerto de Frank Sinatra a que não assisti, mas que não consta tenha sido memorável.
Vêm este prelúdio a propósito da esperada polémica que envolve já a remodelação do Pavilhão Rosa Mota e dos jardins envolventes.
Como habitualmente, há os que se opõem a toda e qualquer intervenção, seja de que natureza for, porque isso alterará a alma e o espírito do lugar. São os mesmos que já se opuseram à reformulação do “Jardim da Cordoaria” ou, mais recentemente, à intervenção na Avenida dos Aliados. Têm (legitimamente, de resto) uma visão estática dos espaços urbanos. Para eles, as cidades podem crescer para o vazio que normalmente as envolve, mas o já edificado é um adquirido intangível. Qualquer mudança de uma simples pedra da calçada é um crime de lesa-memória.
Não partilho desta visão radical. Sou conservador e não advogo nunca a mudança pela mudança. Mas, preservada a alma das cidades, entendo que estas devem evoluir e adaptar-se a cada tempo.
A verdade é que o jardim da Cordoaria não consubstanciava, ao contrário do que clamam os que se opuseram à intervenção, a fixação nostálgica de um passado romântico. Era penas um lugar infecto que afugentava o passante. Mesmo começando já a degradar-se, está muito melhor.
E a Avenida dos Aliados, se não está, só por si, muito melhor, pelo menos, livrou-se daqueles canteiros meio de gramão, meio de terra, onde cagavam os cães. Constitui hoje um espaço cheio de potencialidades. Basta aproveitá-las.
E o Palácio de Cristal? Que fazer dele?
À falta de grandes concertos multitudinários no Porto; transferidos os certames industriais para os espaços mais apetecíveis e adequados da AEP, na Feira e em Matosinhos; mudada (e bem) a Feira do Livro que no palácio só se fazia, para dizer que ali se fazia qualquer coisa, o pavilhão serve apenas, potencialmente, para espectáculos de circo e provas desportivas.
O circo é um espectáculo decadente que ninguém já quer ver. Qualquer tenda vendida no “Jumbo” ou no “Continente” tem capacidade para albergar todos os espectadores que buscam as velhas artes do malabarismo e da momice.
Os desportos de pavilhão, por sua vez, estão em decadência, em termos de público, que privilegia quase em exclusivo o futebol.
O hóquei em patins – que justificou a construção do pavilhão – foi um desporto feito pela rádio. A sua pouca televisibilidade matou-o. Quase ninguém lhe liga nada hoje em dia. Mesmo em Portugal, a sua pátria de eleição.
Em suma, o povo do Porto, o povo do Norte de Portugal e do país inteiro, não dispensando com certeza os jardins do Palácio de Cristal nem a magnífica Biblioteca Almeida Garrett, dispensam o mamarracho do Pavilhão dos Desportos neles implantado.
Assim, o único investimento racional que nele se pode fazer é o dinheiro que se gaste a demoli-lo.
Memória de
Funes, o memorioso
às
17:16
14
lembraram-se de contestar
Marcadores: Palácio de Cristal, Porto
Uma palavra brasileira engraçada por dia (Zekez Carvalho)
Bonde. (já agora, alguém me explica qual a diferença para "ônibus"?)
Memória de
ZekezCarvalho
às
10:26
14
lembraram-se de contestar





